Novo Homem: "Um homem renovado e sem vaidade", diz advogado sobre Arcanjo

“Um homem renovado”. Assim definiu o advogado Zaid Arbid sobre o comportamento do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro após quase um mês no regime semiaberto. Arcanjo esteve preso por quase 15 anos, a maioria em presídios federais fora de Mato Grosso.

 

 

Segundo Arbid, Arcanjo mudou pouco sua essência ao longo deste tempo de prisão. Todavia, a maturidade adquirida com o tempo o fez “perder a vaidade”. “João Arcanjo Ribeiro é um homem renovado porque perdeu boa parte da vaidade, que é aquilo que consome o ser humano”, disse o advogado em entrevista ao site O Bom da Notícia, do jornalista Edvaldo Ribeiro.

O advogado lembra que o “ex-comendador” era um dos homens mais requisitados de Mato Grosso até sua prisão. Ele patrocinava eventos, festas e recebia convidados da alta sociedade matogrossnse.

Porém, a partir da deflagração da “Operação Arca de Noé”, que resultou em sua prisão, foi abandonado por boa parte daqueles que “o bajulavam”. Mais que isso, passou a ser recriminado por estas pessoas.

“Arcanjo tinha a Estância 21, que apesar de instalado o cassino, era um local procurado pela sociedade. É a mesma sociedade que hoje o recrimina. Antes ele servia, poderia patrocinar e poderia estar presente. Hoje, é uma persona non grata”, explicou.

 

Ao comparar a situação de Arcanjo com a Roma antiga, onde havia a política do “pão e circo”, Arbid admite que Arcanjo fez valer dela para se manter em evidência e até sustentar sua vaidade. Porém, o advogado acredita que a sociedade também “explorou” o poder aquisitivo do ex-bicheiro para adquirir benesses. “João Arcanjo Ribeiro foi também usado por parte da sociedade ao patrocinar o circo e dar o pão, ou o cálice. Muita gente o procurava, ia a suas festas para ter isso”.

 

Porém, o ex-bicheiro ainda é cercado de alguns amigos da época. São os poucos, além dos familiares, que mantém contato com ele desde que deixou a prisão. “Os verdadeiros amigos não se afastaram dele, eles continuam. São os amigos que hoje na volta dele, o confortam, o acompanham”, afirmou.

Para Arbid, o tempo na prisão fez o “ex-comendador” avaliar sua vaidade e os verdadeiros amigos. “Hoje ele pode mensurar quem são seus amigos. A vaidade contamina, tanto para quem oferece quanto para quem recebe. Ela é perversa”, assinala.

 

DÍVIDAS E PROCESSOS

Na entrevista, Arbid comentou sobre as declarações dadas logo após a soltura de Arcanjo, de que iria atrás das pessoas lhe devem para cobrá-las. Arbid estima que Arcanjo tem cerca de R$ 250 milhões para receber.

 

Ele reforçou que todo o processo de cobrança ocorrerá dentro do processo legal. “Todo mundo tem o direito de receber o que tem para receber, pois todo mundo precisa receber e pagar o que deve. Mas tudo isso será cobrado nos meios legais, não será utilizado nenhuma forma truculenta para a cobrança. As dívidas são contraídas na vida, que é material. Somente no paraíso que se vive espiritualmente, você não precisa pagar conta. Aqui não, aqui você tem despesa, ninguém trabalha e vive em nome do Pai”, garante.

O jurista também reforçou que tentará anular algumas condenações do ex-bicheiro, em função do descumprimento do acordo de extradição com o Uruguai. “O Uruguai estabeleceu na entrega de João Arcanjo que ele não poderia ser julgado, processado e condenado por aqueles crimes que, no Brasil são tipificados como crime, e no Uruguai não é punível como crime, como a lavagem de dinheiro. Só no Brasil é crime, no Uruguai não é crime, isso ficou acordado entre as duas nações, para que João Arcanjo Ribeiro fosse extraditado para o Brasil”

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Sobre as atividades de Arcanjo após deixar o cárcere, o advogado explicou que ele atuará como empresário, do ramo de piscicultura e cuidará de um estacionamento. “O João Arcanjo vai ter que promover sua recuperação do patrimônio e seus créditos. Ele vai resgatar com exercício de cuidar das coisas dele. A Lei de Execução Penal tem o foco dirigido, que é para uma população carcerária, que não tem bens. João Arcanjo Ribeiro é um caso atípico, então ele vai cuidar de sua fazenda, produzindo peixe e prestar serviço também em um estacionamento que fica na mesma sede da empresa dele. Mas tudo isso para cumprir o que foi determinado pela justiça”, finaliza.

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