Ex - Assessor diz que deputado recebia proprina

March 20, 2018

ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Tschales Franciel Tschá, disse que um dos sócios da Santos Treinamento, uma das empresas que estariam por trás de um esquema de lavagem de dinheiro no Detran de Mato Gosso, Claudemir Pereira "Grilo", repassou cheques ao deputado estadual Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD). As informações constam no depoimento de Tschales ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) no dia 7 de março deste ano. 

Os fatos são investigados na "Operação Bereré", comandada pelo Gaeco. Em seu depoimento, Tschales afirmou que era “comum” receber valores em espécie e cheques de terceiros relativos a movimentações financeiras que o deputado estadual realizava junto as factorings. Ele afirma que um desses cheques possuía o valor de R$ 10 mil. “Provavelmente o cheque compensando por mim no dia 20/02/2014, no valor de R$ 10 mil, emitido por Claudemir Pereira dos Santos, seja um destes”, disse Tschales.

Ele, que também é ex-assessor do deputado estadual, disse ainda que um cheque de R$ 1,5 mil foi depositado em sua conta por Claudemir Pereira para cobrir despesas pessoais ou de algum familiar de Nininho. “Provavelmente foi o ressarcimento de alguma despesa paga pelo mesmo e relacionada a alguma despesa pessoal de algum familiar do deputado Nininho ou do gabinete dele”, afirmou o ex-secretário-geral da AL-MT.

O ex-assessor de Nininho também afirmou que Luziene Alves da Silva, apontada como beneficiária dos valores, recebeu um depósito de R$ 3 mil por determinação do parlamentar. “Todas as operações relacionadas a este cheque não possuem qualquer relação comigo, sendo que as efetivei por determinação do deputado Nininho”, relatou o ex-assessor.

Ao Gaeco, Tschales disse que, além do recebimento de cheques do sócio da Santos Treinamento, Nininho também realizava movimentações financeiras com factorings, como de Valcir Piran, o “Kuqui”, irmão de Valdir Piran, além dos também proprietários de factoring Francisco Ferres, e Jurandir Vieira. “Essa utilização de factorings pelo deputado Nininho já ocorria inclusive antes de ele assumir o mandato de deputado estadual, quando prefeito municipal de Itiquira, principalmente com o Kuqui Piran, que era amigo pessoal dele”, disse o ex-assessor, que ainda informou que o deputado estadual “entregou” um aeronave a Kuqui como forma de pagamento de uma dívida.

“Tenho conhecimento deste fato porque na época eu era funcionário daquela prefeitura e pessoa de confiança do então prefeito Nininho. Inclusive, há alguns anos o deputado Nininho entregou uma aeronave dele para ‘Kuqui’ para quitar esses empréstimos”, finalizou.

BERERÉ

Deflagrada no dia 19 de fevereiro de 2018, a operação Bereré, do Gaeco e da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e contra a Administração Pública (Defaz-MT), desbaratou uma quadrilha que lavava dinheiro e desviava recursos públicos por meio de empresas que prestam serviços ao Detran-MT. O bando agia desde 2009 e teria desviado em torno de R$ 1 milhão por mês.

Os principais alvos da operação são os deputados estaduais Eduardo Botelho e Mauro Savi, ambos do PSB, além do ex-deputado federal Pedro Henry. As investigações tem como base os depoimentos de colaboração premiada do ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Lopes, o “Doia”, além do empresário Rafael Yamada Torres, outro delator do esquema.

Segundo as investigações, a Santos Treinamento e Capacitação é uma empresa fantasma que já teve entre seus sócios o presidente da AL-MT, Eduardo Botelho (PSB). A organização recebia recursos desviados da FDL Serviço de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos, que realiza junto ao Detran-MT o registro de financiamentos de veículos em alienação fiduciária.

Um dia depois da deflagração da operação, em 20 de fevereiro, Eduardo Botelho admitiu que conhecia a fraude e se disse “arrependido” de não ter deixado o quadro societário assim que soube do esquema, em 2011.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), José Zuquim Nogueira, determinou no dia 16 de fevereiro de 2018 o sequestro de R$27.722.877,38 de 17 pessoas, entre físicas e jurídicas, envolvidas no esquema de lavagem e desvio de dinheiro no Detran de Mato Grosso. De acordo com o despacho do magistrado, o recurso era “desviado” do órgão para “retirar-lhe a sujeira que cobre a sua origem”. Entre as pessoas atingidas pela medida estão os deputados estaduais Eduardo Botelho, Mauro Savi, o ex-deputado federal Pedro Henry, além de sócios e lobistas que participaram do esquema. 

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