• Redação com Folha Max

Magoado, Botelho lembra que suspeitou de esquema com entrada de Silval em empresa


O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Eduardo Botelho (PSB), admitiu que foi sócio da empresa Santos Treinamento, acusada de receber propina paga pela FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informazação e Cerficação Ltda, que mantinha um contrato milionário no Detran de Mato Grosso. Botelho foi um dos alvo da operação, que cumpriu mandados em sua casa e em seu gabinete na Assembleia Legislativa.

Em coletiva realizada nesta terça-feira (20), o deputado estadual afirmou que suspeitou de fraudes na relação entre a Santos Treinamento e a FDL Serviços quando o ex-governador Silval Barbosa e seu irmão, Antonio Barbosa, passaram a “integrar” a empresa.

“Não tinha nada de ilegal no contato. Era uma prestação de serviço, e não tinha nada ilegal. Nós entramos como investidores. Onde começou a ter algo de ilegal foi quando entrou o governador Silval [Barbosa] em 2011. Houve uma pressão muito grande e parte dessa empresa foi repassada para um representante do Silval, era algo em torno de 30%. Eu comecei a sentir mal com isso. Eu comecei a discutir minha saída da empresa, eu sabia que estava errado isso. Infelizmente demorei para sair, foi um erro que eu cometi”, disse Botelho.

Ele admitiu que soube do esquema assim que entraram em cena Antônio da Cunha Barbosa, o “Toninho”, irmão do ex-governador Silval Barbosa, e Rafael Yamada Torres, filho do empreiteiro Vanderley Fachetti Torres, proprietário da Trimec. Em uma “mea culpa”, afirma que teria que ter saído da empresa assim que os “representantes” de Silval passaram a integrá-la, o que demorou cerca de 7 meses.

“Quando nós passamos para o Toninho, para o filho do Vanderley, já era propina. Aí sim foi propina. Aí sim foi o erro e eu tinha que ter saído naquele momento e relutei a sair”, arrependeu-se o presidente da AL-MT.

Botelho lamentou ainda que o episódio profissional foi uma “mancha” em sua vida que esta causando transtornos a sua família. “Essa empresa eu fiquei menos de 2 anos nela e foi uma mancha. Quando entrou esse pessoal eu devia ter saído naquele momento e eu ainda demorei a sair e isso tá me causando tudo quanto é transtorno que estou passando para mim, para meus familiares, e os amigos e pessoas que acreditam na gente”, lamentou o deputado, que destacou atuar como empresário há mais de 30 anos.

O presidente da Assembleia ainda refutou a acusação do Ministério Público Estadual, que o apontou como um dos líderes do esquema, ao lado do ex-governador Silval Barbosa, do ex-deputado Pedro Henry, do deputado estadual Mauro Savi e do ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o "Doia", delator do esquema. Segundo ele, a delação não o aponta em nenhuma reunião com "Doia" discutindo pagamento de propina.

“A acusação de liderar esquema é totalmente infundada. Tanto que você vê a delação do Dóia, ele fala em várias reuniões e nenhuma ele me cita. Eu nunca participei de reunião com Dóia, de conversa com Silval, nunca participei de reunião nenhuma. Se o Dóia falar a verdade, vai dizer que nunca tratou desse assunto com o Botelho”, afirmou.

SAÍDA DA POLÍTICA

Eduardo Botelho foi questionado se achava que sofria interceptação telefônica. E respondeu de maneira sarcástica. “Grampeado nós devemos estar. Não tem nem porque [desconfiar disso]”, disse ele.

Abatido, o presidente do Poder Legislativo de Mato Grosso, que está em seu primeiro mandato como deputado estadual, admitiu que irá refletir sobre seu futuro na política. “A política tem trazido vários constrangimentos para a gente e atrapalhado muito a empresa. Eu vou continuar com a mesma característica até o final o mandato. [Sobre o futuro na política] é uma decisão que eu devo tomar com a minha família”.


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